Origens
São Silvestre I apagou-se ao lado
de um Imperador culto e ousado como Constantino, o qual, mais do que o
servir, teria, antes, servido – se dele, da sua simplicidade e
humanidade, agindo por vezes como verdadeiro Bispo da Igreja, sobretudo
no Oriente, onde recebeu o nome de Isapóstolo, isto é, igual aos apóstolos.
A Intromissão de Constantino
Na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos,
com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez
que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para
entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou
político.
A prudência de São Silvestre I
E, talvez, São Silvestre I, na sua
simplicidade, tivesse sido o Papa ideal para a circunstância. Outro
Papa mais exigente, mais cioso da sua autoridade, teria irritado a
megalomania de Constantino, perdendo a sua proteção. Ainda estava muito
viva a lembrança dos horrores que passara a Igreja no reinado de
Diocleciano, e São Silvestre I, testemunha dessa perseguição que ameaçou
subverter por completo a Igreja, preferiu agradecer este dom inesperado
da proteção imperial e agir com moderação e prudência.
São Silvestre I, 33º Papa da Igreja Católica
Medida exorbitante de Constantino
Constantino terá certamente
exorbitado, mas isso ter-se-á devido ao desejo de manter a paz no
Império, ameaçada por dissensões ideológicas da Igreja, como na questão
do donatismo que, apesar de já condenado no pontificado anterior, vê-se
de novo discutido, em 316, por iniciativa sua.
Agitação de Ario
Dois anos depois, gerou-se nova
agitação doutrinária mais perigosa, com origem na pregação de Ario,
sacerdote alexandrino, que negava a divindade da segunda Pessoa e,
consequentemente, o mistério da Santíssima Trindade. Constantino,
inteirado da agitação doutrinária, manda mais uma vez convocar os Bispos
do Império para dirimirem a questão. Sabemos pelo Liber Pontificalis,
por Eusébio e Santo Atanásio, que o Papa dá o seu acordo e envia, como
representantes seus, Ósio, Bispo de Córdova, acompanhado por dois
presbíteros. Ele, como dignidade
suprema, não se imiscuiria nas disputas, reservando-se à aprovação do
veredito final. Além disso, não convinha parecer demasiado submisso ao
Imperador.
Heresia de Ario
Foi o primeiro Concílio Ecumênico
(universal) que reuniu em Niceia, no ano 325, mais de 300 Bispos, com o
próprio Imperador a presidir em lugar de honra. Os Padres conciliares
não tiveram dificuldade em fazer prevalecer a doutrina recebida dos
Apóstolos sobre a divindade de Cristo, proposta energicamente pelo Bispo
de Alexandria, Santo Atanásio. A heresia de Ario foi condenada sem
hesitação; e a ortodoxia trinitária ficou exarada no chamado Símbolo Niceno ou Credo, ratificado por São Silvestre I.
O final de um grande Pontificado
Inauguração de Constantinopla
Constantino, satisfeito com a
união estabelecida, parte no ano seguinte para as margens do Bósforo
onde, em 330, inaugura Constantinopla, a que seria a nova capital do
Império, eixo nevrálgico entre o Oriente e o Ocidente, até a sua queda
em poder dos turcos otomanos em 1453.
Doação Constantiniana
Data dessa altura a chamada doação constantiniana, mediante a qual o Imperador entrega à Igreja, na pessoa de São Silvestre I, a Domus Faustae,
Casa de Fausta, sua esposa, ou palácio imperial de Latrão (residência
papal até Leão XI), junto ao qual se ergueria uma grandiosa basílica de
cinco naves, dedicada a Cristo Salvador e, mais tarde, a São João
Batista e São João Evangelista (futura e atual catedral episcopal de
Roma, S. João de Latrão). Mais tarde, doaria igualmente a própria
cidade.
Páscoa
Depois de um longo pontificado (de
314 a 335), cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida
da Igreja, morre São Silvestre I, no último dia do ano 335, dia em que a
Igreja venera a sua memória. São Silvério foi sepultado no cemitério de
Priscila. Os seus restos mortais foram transladados por Paulo I
(757-767) para a igreja erguida em sua memória.
Minha oração
“Ó grande defensor da fé, ilustre sábio da doutrina, defendei o povo fiel do mal das heresias, das mentalidades mundanas e de tudo o que nos circunda contra os valores humanos. Te rogamos a lucidez da doutrina e a graça de amar o Deus verdadeiro e servir a única Igreja. Amém.”


