Por que os dois santos Valentim são considerados os protetores dos
namorados e noivos? A tradição vem de longe, e o que ela nos traz é o
que se segue:
Ambos os santos Valentim viveram, mais ou menos, na mesma época, no século III. Os dois foram mártires e lutaram pelo matrimônio cristão. Por isso, o Dia dos Namorados em várias partes do mundo passou
a ser chamado em inglês de Valentines Day ou Dia dos Valentins.
O padre São Valentim viveu em Roma no tempo do imperador romano
Cláudio II (268-270), o Gótico. O Império enfrentava vários problemas,
com um grande número batalhas perdidas. Segundo a tradição, o imperador
atribuiu a culpa aos soldados solteiros, pois julgava que os solteiros
eram menos ousados nas batalhas; feriam-se levemente e, logo, pediam
dispensa. Conseguiam um afastamento e, quando voltavam, estavam casados.
Uma vez casados, não se arriscavam mais, com a intenção de voltar
vivos. Isso, segundo Cláudio II, enfraquecia as legiões romanas. Por
isso, o imperador proibiu o casamento dos soldados.
Padre Valentim continuou incentivando e celebrando os casamentos
secretamente. Quando Cláudio II soube, mandou prender o padre e
interrogou-o diante do povo. As respostas de São Valentim defendendo o
matrimônio como união sagrada, querida por Deus e “sacramento”,
impressionaram o imperador e todo o povo. Por isso, o imperador enviou-o
apenas para uma “prisão domiciliar”. Porém, o local indicado para a
prisão foi a casa do prefeito de Roma, chamado Astério, que era pagão e
tinha uma filha cega. São Valentim curou a sua filha e conseguiu a
conversão de toda a família. Ao saber disso, o imperador mandou que fosse açoitado e, a seguir, decapitado na via Flamínia no dia 14 de fevereiro de 269.
Papa Júlio I (337-352) construiu uma igreja em honra a esse mártir na
“Porta del Popolo”, que se chamava Porta Valentini; o Papa Honório I
(625-638) restaurou-a e ela se tornou um centro de peregrinações muito
frequentado. A maioria das relíquias de São Valentim se encontram na
igreja de S. Praxedes.
Por que patrono dos namorados?
O que se sabe é que surgiu o costume dos rapazes e moças
escolherem-se como namorados no dia 14 de fevereiro, tendo em vista ser
dia do mártir que defendia o matrimônio.
Segundo uma lenda, os pássaros começam a se acasalar no mesmo dia.
Havia também o costume, segundo Alban Butler, em sua coleção de 12
volumes sobre os santos (Ed. Vozes, 1985, pg. 141), de o rapaz enviar
uma carta carinhosa a quem ele queria namorar. Uma das mais antigas
referências ao costume de se escolher um namorado neste dia encontra-se na obra “The Paston Letters” (n.783).
Em 1477, Elizabeth Trews, que possuía uma filha para quem desejava
arranjar um matrimônio com o parente John Paston, escreveu-lhe o
seguinte: “Primo, como sexta-feira é dia de São Valentim e todo
passarinho escolhe seu par, se você quiser vir na quinta-feira de noite e
assim dispor-se a permanecer até segunda-feira, eu confio em Deus que
você irá falar com meu marido, e eu pedirei para chegarmos, nesse
assunto, a uma conclusão. Com efeito primo, ele é tão-só um carvalho que
tomba ao primeiro afago.”
No mesmo mês, Margery, a referida jovem pretendente, dirigiu-se como namorada a John Paston a seguinte carta:
“Ao meu muito bem-amado namorado Senhor John Paston, escrevo esta
cartinha. Meu reverendo e respeitável e meu muito bem-amado namorado,
recomendo-me a ti , desejando de todo coração receber notícias sobre tua
saúde, que suplico a Deus Onipotente queira preservar por muito tempo
segundo o seu beneplácito e o desejo do teu coração”.
Consta que o bispo São Valentim foi sagrado bispo de Terni no ano
197, e é tido como o fundador desta cidade italiana. Ao lado da igreja
que ele construiu e de sua casa, havia um enorme campo e um belo jardim
onde ele era sempre visto num trabalho que gostava: cuidar das rosas de
seu jardim. À tarde, Dom Valentim abria o jardim para as crianças
brincarem.
Conselheiro
Dom Valentim teria o dom extraordinário do conselho. Ele ficou famoso
por conseguir reconciliar inúmeros casais de namorados. Conta-se que um
dia, ouviu dois jovens namorados discutindo ao lado de seu jardim e foi
até eles. Chegou com uma linda rosa na mão, o capuz sobre a cabeça, o
semblante sereno e sorridente. A figura daquele bom idoso e a delicadeza
da rosa acalmaram os dois namorados. Em seguida, deu a eles a mais
valiosa lição. Pediu que os dois segurassem o caule da rosa com todo
cuidado para não se espetarem. Eles assim o fizeram. Depois, São
Valentim explicou-lhes a beleza do sacramento do matrimônio e da união
de corpos. E ensinou-lhes que “as rosas são lindas, perfumadas,
delicadas, mas tem espinhos. E elas não vivem sem espinhos. Assim também
são as diferenças entre o casal. É preciso conhecê-las, respeitá-las e
tratá-las com delicadeza, para que nenhum dos cônjuges seja ferido.
Agindo assim, serão felizes e as brigas desaparecerão.” O jovem casal
aprendeu a lição. Pouco tempo depois, o santo bispo celebrava o
casamento dos dois. Depois disso, sua fama de casamenteiro se espalhou.
Dom Valentim, estando em Roma no ano 272, converteu um famoso
filósofo grego chamado Crato e, além dele, mais três de seus discípulos.
Isso levou-o a ser denunciado, preso e julgado pelo imperador
Aureliano. Crato e seus discípulos defenderam o bispo no julgamento,
porém, de nada adiantou. São Valentim de Terni foi condenado e
decapitado no 14 de fevereiro do ano 273. Os três filósofos
recém-convertidos tiveram o cuidado de resgatar seu corpo e
transportarem-no para a cidade de Terni. Lá, ele foi sepultado.
A Igreja incluiu São Valentim de Terni, bispo e mártir, no Calendário Litúrgico,
o protetor dos namorados e dos jovens. Suas relíquias estão guardadas
na Igreja das Carmelitas, em Terni, que hoje faz parte de Roma. Ao lado
da urna de prata que guarda seus restos mortis, tem a inscrição: “São
Valentim, patrono do amor”. Há ainda na igreja um lindo vitral que
mostra a imagem de São Valentim abençoando um jovem casal ajoelhado e os
dois seguram uma rosa.
Oração a São Valentim de Ternig
“São Valentim, que semeastes a bondade, o amor e a paz na Terra, sede meu guia espiritual
Ensinai-me a aceitar os defeitos e as falhas do meu companheiro e
ajudai-o a reconhecer as minhas virtudes e vocações. Vós, que
compreendeis os que se amam e desejam ver a união abençoada por Cristo,
sede nosso advogado, nosso protetor e nosso abençoador. Em nome de
Jesus! Amém!