Origem e juventude
São Francisco Solano nasceu em Montilla, na região de Córdova,
Espanha, no dia 10 de março de 1549, em uma família nobre e
profundamente cristã. Seus pais, Mateus Solano e Ana Ximénez, o educaram
no temor de Deus e no amor à virtude.
Desde criança, Francisco mostrava caráter recolhido e alma sensível à
oração. Era piedoso, estudioso e generoso com os pobres. Gostava de
retirar-se para lugares tranquilos, onde meditava e rezava em silêncio.
Aos 20 anos, movido por ardente desejo de perfeição, ingressou na
Ordem dos Frades Menores, seguindo o ideal de São Francisco de Assis.
Recebeu a formação no convento de São Lourenço de Montilla, onde logo se
destacou pela obediência, humildade e espírito penitente.
Formação e primeiros ministérios
Ordenado sacerdote, Frei Francisco Solano dedicou-se à pregação
popular nas aldeias da Andaluzia. Seu modo de falar simples e ardente
comovia multidões. Possuía voz harmoniosa e usava o violino para cantar
hinos e salmos, atraindo o povo ao arrependimento.
Era chamado de "o missionário da alegria", pois mesmo quando falava
da penitência, irradiava serenidade e doçura. Tinha grande zelo pelos
enfermos e pelos pobres, visitando os hospitais e levando conforto aos
desamparados.
Em 1583, uma epidemia de peste assolou a cidade de Granada. Frei
Francisco se ofereceu espontaneamente para assistir os doentes. Sem
temer o contágio, levava-lhes remédios, bênçãos e esperança. Por sua
coragem e fé, muitos o chamaram "anjo da caridade".
Chamado às missões do Novo Mundo
A fama de sua santidade chegou aos superiores da Ordem, que o
designaram missionário para o Peru, no então Vice-Reino da Espanha. O
próprio santo recebeu a notícia como uma graça especial e respondeu:
"Se o Senhor me chama, não temo o mar nem a distância."
Partiu de Cádiz em 1589, enfrentando terrível tempestade durante a
travessia. Rezando e cantando salmos, animou a tripulação e acalmou os
ânimos.
Ao chegar à Lima, percorreu diversas regiões da América do Sul,
especialmente o Peru, Argentina, Bolívia e Paraguai, anunciando o
Evangelho entre os colonos e os povos indígenas.
O apóstolo da América do Sul
Em terras americanas, São Francisco Solano tornou-se conhecido como
"Apóstolo do Novo Mundo". Pregava com doçura e firmeza, aprendendo
rapidamente as línguas indígenas para melhor evangelizar.
Muitas tribos hostis foram tocadas por sua mansidão. Um relato antigo
afirma que, em certa aldeia, ao aproximar-se do povo, um grupo armado
tentou atacá-lo; ele, porém, começou a tocar seu violino e cantar
louvores a Deus. A música e sua paz interior desarmaram os guerreiros,
que se ajoelharam pedindo o batismo.
Além da palavra, Solano levava remédios e alimentos. Ajudava a
construir igrejas, hospitais e escolas, unindo fé e caridade. Dizia:
"Evangelizar é amar; e quem ama, serve."
Viveu com extrema pobreza, andando descalço, vestindo o mesmo hábito
remendado e alimentando-se de raízes e frutas quando necessário.
Milagres e dons sobrenaturais
Muitos milagres foram atribuídos a São Francisco Solano. Sua presença
parecia transformar o ambiente: onde chegava, cessavam brigas, pestes e
desordens.
Durante uma seca terrível em Tucumán, reuniu o povo em oração e fez
brotar água de uma pedra. Certa vez, ao visitar um vilarejo ameaçado por
incêndio, fez o sinal da cruz e o fogo apagou-se repentinamente.
Era também dotado do dom de profecia. Predisse o terremoto de
Trujillo, exortando o povo à penitência. Suas palavras se cumpriram com
precisão.
Os indígenas o chamavam de "Pai do Sol", pois diziam que sua presença irradiava luz e paz.
O santo da reconciliação
Francisco Solano foi também mediador de paz entre colonos e
indígenas. Intervinha com coragem nas injustiças, condenando abusos e
violências. Sua autoridade espiritual era reconhecida até pelos
governadores e soldados.
Dizia sempre:
"Não há conquista verdadeira senão a do coração pelo amor."
Suas missões transformaram comunidades inteiras. Milhares foram
batizados e instruídos na fé, e sua passagem deixou marcas profundas na
evangelização da América Latina.
Retorno e últimos anos
Após quase vinte anos de missões, debilitado pelas fadigas e doenças
tropicais, Frei Francisco retornou ao Peru. Estabeleceu-se no convento
de Lima, onde continuou a pregar e confessar até o fim da vida.
Nos últimos meses, dizia aos irmãos:
"O Céu está próximo; não deixemos que o cansaço apague o ardor do amor."
Morreu santamente em 14 de julho de 1610, pronunciando as palavras:
"Glória a Deus e à Sua Mãe Santíssima!"
Logo após sua morte, o povo começou a invocá-lo como intercessor. Numerosas curas e graças foram atribuídas à sua intercessão.
Canonização e culto
São Francisco Solano foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 pelo
Papa Bento XIII, que o chamou de "modelo de missionário e artesão da
paz".
Sua festa litúrgica é celebrada em 14 de julho. É venerado
especialmente na Espanha, na Argentina e no Peru, onde seu nome está
ligado à origem de várias dioceses e missões.
É patrono dos missionários franciscanos na América Latina, dos músicos católicos e dos camponeses.
Espiritualidade
A espiritualidade de São Francisco Solano une a alegria franciscana à
fortaleza do missionário. Seu lema poderia ser resumido nas palavras do
Evangelho: "Ide e anunciai."
Viveu o ideal de um cristianismo luminoso e generoso, capaz de cantar
a Deus em meio às fadigas. Sua confiança na Providência era inabalável,
e sua fé, marcada pela ternura e pela coragem.
Como verdadeiro filho de São Francisco, via em todas as criaturas um
reflexo da bondade divina. Por isso, tratava com igual respeito o homem e
a natureza, o pobre e o poderoso, o índio e o europeu.
Sua vida recorda que a alegria é a forma mais alta de santidade, e que o amor é a linguagem que todos os povos compreendem.
Oração a São Francisco Solano
"Senhor Deus, que chamastes São Francisco Solano para levar o
Evangelho aos povos da América e o enchestes de espírito de alegria e de
paz, concedei-nos, por sua intercessão, o ardor missionário e a
serenidade dos que confiam inteiramente em Vós. Que também nós saibamos
cantar a vossa bondade em meio às lutas e consolar os aflitos com vossa
paz. Por Cristo, nosso Senhor. Amém."