Festa das Cinco Chagas do Senhor
CINCO CHAGAS DO SENHOR
Cristo manifesta-Se com as suas chagas após a ressurreição
Se é pueril acreditar ao acaso e sem motivo, também é muito insensato querer examinar e inquirir tudo demasiadamente. E esta foi a sem razão de Tomé. Perante a afirmação dos Apóstolos: Vimos o Senhor, recusa-se a acreditar: não porque descresse deles, mas porque julgava impossível o que afirmavam, isto é, a ressurreição de entre os mortos. Não disse: «Duvido do vosso testemunho», mas: Se não meter a minha mão no seu lado, não acreditarei.
Jesus aparece segunda vez e não espera que Tomé O interrogue, ou Lhe fale como aos discípulos. O Mestre antecipa-se aos seus desejos, fazendo-lhe compreender que estava presente quando falou daquele modo aos companheiros. Na censura que lhe faz serve Se das mesmas palavras e ensina como deverá proceder para o futuro. Depois de dizer: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; mete a tua mão no meu lado, acrescenta: Não sejas incrédulo, mas crente. Tomé duvidou por falta de fé. Ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Mas isso não voltaria a acontecer; a partir de então manter-se-iam firmes na fé. Cristo, porém, não Se ficou nesta admoestação e insistiu novamente. Tendo o discípulo caído em si e exclamado: Meu Senhor e meu Deus, disse-lhe Jesus: Porque Me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, acreditaram.
É próprio da fé crer no que não se vê. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das que não se veem. Com efeito, o divino Mestre chama felizes, não só os discípulos, mas também todos aqueles que no decurso dos tempos acreditarão nele. Dirás talvez: Mas na verdade, os discípulos viram e creram. É certo; no entanto, não precisaram de ver para acreditarem. Sem quaisquer exigências, bastou-lhes ver o sudário para logo aceitarem o ato da ressurreição e acreditarem plenamente, antes mesmo de verem o corpo glorioso de Jesus. Portanto, se alguém disser: «Quem dera ter vivido no tempo de Jesus e contemplado os seus milagres», recorde as palavras: Felizes os que, sem terem visto, acreditaram.
E aqui surge uma pergunta: Como pôde o corpo incorruptível conservar as cicatrizes dos cravos e ser tocado por mão mortal? Não é caso para espanto, pois se trata de pura condescendência da parte de Cristo. O seu corpo era tão puro, sutil e livre de qualquer matéria, que podia entrar numa casa com as portas fechadas. Quis, porém, manifestar-se deste modo, para que acreditassem na ressurreição e soubessem que era Ele mesmo que fora crucificado, e não outro, quem tinha ressuscitado. Por este motivo conserva, na ressurreição, os estigmas da cruz, e come na presença dos Apóstolos, circunstância esta que eles especialmente recordariam: Nós que comemos e bebemos com Ele. Quer dizer: Antes da paixão, ao vermos Jesus caminhando sobre as ondas, não considerávamos o seu corpo de natureza diferente da nossa; também agora, ao vê-lo com as cicatrizes, após a ressurreição, devemos crer na sua incorruptibilidade.
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo ; sobre o Evangelho de São João;
(Hom. 87, 1: PG 59, 473-474) (Sec. I
As chagas de Cristo são as feridas infligidas a Ele durante a Crucifixão: nas mãos, nos pés e no lado.
Sabemos pelas, Sagradas Escrituras, que o Senhor Jesus Ressuscitado aparece aos Apóstolos, quando eles estavam trancados por medo aos judeus, e mostra a eles as suas chagas, o que é para eles fonte de esperança e de paz (Cf. Jo 20,19-21).
Depois, Tomé, que não se encontrava presente nesta aparição, recupera a sua fé quando coloca a sua mão no peito do Senhor e toca as feridas das mãos (Cf. Jo 20,27).
Mais tarde, São Pedro, dirigindo-se aos cristãos em uma das suas cartas, diz que “por suas chagas fomos curados” (1Pd 2,24) e São Paulo dirá aos Coríntios que julgou “não dever saber coisa alguma entre eles, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado” (1Cor 2,2), o que remete também às cinco chagas do Senhor.
Santo Afonso Maria de Ligório liga a devoção às cinco chagas à passagem de Isaías, que anuncia:
“Todos vós, que estais sedentos, vinde à nascente das águas” (Is 55,1).
Ele considera precisamente as chagas como essas fontes de misericórdia, de esperança e de amor.
Numerosos santos e santas cultivaram esta devoção. Entre eles, provavelmente a primeira foi Maria, quando recebeu nos seus braços o seu Filho descido da Cruz, antes do seu sepultamento.
Também São Bernardo, que em sonhos encontrou nas chagas de Cristo esperanças de alcançar o céu, e São Francisco, que gostava de esconder-se nas fendas da terra, como um símbolo exterior do seu estar interiormente escondido nas chagas de Cristo.
Sabemos que o sangue e a água que brotam do lado aberto de Jesus simbolizam os Sacramentos da Igreja, especialmente o Batismo e a Eucaristia, que são os fundamentos de toda a nossa vida cristã.
Do lado aberto de Cristo, pendente na Cruz, o Pai fez nascer a Igreja, assim como do lado aberto de Adão fez nascer Eva. A devoção das cinco chagas pode ajudar-nos a ser cada dia mais conscientes e gratos a essa fonte perene de vida, que nos sustenta desde o nosso Batismo.
A devoção às cinco chagas de Cristo é uma expressão do nosso amor de adoração à divindade humanidade do Senhor. Ele é verdadeiramente Deus e homem. Sofreu e morreu verdadeiramente na Cruz para depois ressuscitar.
As suas chagas são um recordatório sensível desses acontecimentos centrais da nossa Fé, que alcançam todo homem e mulher com a sua força salvadora. O único requisito é abrir a porta ao Senhor que bate.
Em belíssimo soneto castelhano, Lope de Vega diz, em certo momento, que:
“Ó quanto foram as minhas entranhas duras/
se da minha ingratidão o gelo frio/
secou as chagas das tuas plantas puras”.
O Senhor, que nunca deixa de nos buscar, sempre bate com respeito à nossa porta, e o faz com mãos e pés feridos, com o lado transpassado pela lança. Basta que nós abramos, com corações livres, para receber, como os Apóstolos no cenáculo, a paz que somente Ele pode nos dar.
.:: Mensagem de Fé com Dom Orlando: As chagas de Jesus nos inebriam
Oração das Cinco Chagas rezada por Santa Clara
Introdução – Oração das Cinco Chagas
Como nos diz sua Legenda (LSC 30), Santa Clara rezava frequentemente uma “Oração das Cinco Chagas”. Quando a santa estava à morte, pediu que a Irmã Inês de Opórtulo lhe recitasse essa oração (ProcC 10,10). Depois de ter estudado diversos manuscritos, Frei Zeffirino Lazzeri OFM apresentou-nos um texto (AFH 16 (1923) 246-249). Nessa ocasião, alertou que provavelmente essa oração não foi composta por Santa Clara, como já se acreditou, mas ela a aprendeu como tinha aprendido o Ofício da Paixão de São Francisco. Usamos a sigla OrCh.
Oração e Louvor para a mão direita:
Louvor e glória a ti pela chaga sacratíssimo da tua mão direita, Senhor Jesus Cristo. Por esta sagrada chaga, perdoa todos os meus pecados, que cometi contra ti por pensamentos, palavras e obras, pela negligência em teu serviço, pelo prazer na carne parva, dormindo e acordada. E pela tua venerável Paixão, permite que eu recorde tua morte tão piedosa e tuas sagradas chagas dignas de serem lembradas. E, por teu dom, que eu te renda graças pela mortificação do meu corpo. Tu que vives e reinas pelos séculos dos séculos. Amém.
Oração: Pai-Nosso. e Ave Maria.
Para a mão esquerda:
Louvor e glória a ti por tua sacratíssimo chaga da mão esquerda, suavíssimo Jesus Cristo. Por essa sagrada chaga, tem compaixão de mim e digna-te mudar em mim tudo que em mim te desagrada. Dá-me a vitória sobre teus tão perversos inimigos, para que por tua força eu consiga superá-los. E por tua sapientíssima morte, livra-me de todos os perigos desta vida e da futura. Torna-me digna de tua glória no teu reino. Amém.
Oração: Pai-Nosso. Ave Maria.
Para o pé direito:
Louvor e glória a ti pela sacratíssimo chaga do teu pé direito, melífluo Senhor Jesus Cristo. Por essa sagrada chaga concede-me digna penitência por meus pecados. E por tua morte tão piedosa peço suplicante que me guardes em tua vontade dia e noite, a mim que sou tua serva; que me livres de toda adversidade da alma e do corpo, e que acolhas minha alma em tua fé e misericórdia no dia tremendo, e me leves para os gozos eternos. Amém. Pai-Nosso e Ave Maria.
Para o pé esquerdo:
Louvor e glória a ti pela sacratíssimo chaga do teu pé esquerdo, sapientíssimo Senhor Jesus Cristo. Por essa sagrada chaga, concede-me o perdão da indulgência plena para que, com o teu socorro, eu mereça escapar do juízo da vingança. E por tua santíssima morte, eu te suplico, piedosísismo Jesus Cristo, que antes do dia da minha partida eu mereça receber, para a salvação eterna, o sacramento do teu dulcíssimo corpo e sangue, pela confissão de meus pecados e pela penitência perfeita, e também pela unção do óleo sagrado, na castidade do corpo e da alma. Amém. Pai-Nosso e Ave-maria, .
Para a chaga do peito:
Louvor e glória ti pela sacratíssimo chaga do teu peito, muito benigno Senhor Jesus Cristo. Por essa sagrada chaga e por causa da amplidão de tua sacratíssimo misericórdia, que mostraste ao soldado Longino quando abriu o teu peito, mas agora também a nós todos, eu te peço, puríssimo Jesus que tu, que me lavaste dos pecados originais pelo batismo, também me libertes de todos os males passados e futuros por teu sacratíssimo sangue, que hoje é imolado e tomado no mundo inteiro. E, por tua morte tão amarga, dá-me fé direita, esperança firme e caridade perfeita, e que, de todo coração, com toda a alma, com toda força eu te ame. E me confirma nas boas obras. Dá-me uma esperança forte no teu santo serviço para que eu possa te agradar perfeitamente e sem fim. Amém.
Pai-Nosso e Ave-Maria.
V). As cinco chagas de Deus.
R). Sejam os remédios meus.
V). Pelas cinco chagas.
R). Arranca-me das ruínas.
V). Dá-nos a paz, ó Cristo.
R). Pelas cinco chagas.
Oremos: Onipotente e sempre eterno Deus, que remiste o gênero humano nas cinco chagas do teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, concede aos que te suplicam que, venerando todos os dias essas chagas, consigamos escapar por teu precioso sangue de uma morte súbita e eterna Pelo mesmo Cristo Senhor.
Fonte: Amor Mariano confrariadesaojoaobatista.blogspot.com.br

